sábado, 29 de outubro de 2011

Crônica- Das Trevas para a Luz


Das Trevas para a Luz

Enquanto a escuridão o envolvia e o vento gélido agredia seu rosto, olhava para o céu. Densas nuvens mergulhavam a Lua e as estrelas na mais profunda angústia (ou seria o seu coração imerso na desilusão e nas trevas de uma noite constante?).
Já não se ouvia o barulho dos porcos, dormiam. Porém, o Verme não conseguia repousar. Era impossível. O silêncio da noite o corroía e os seus companheiros gritavam ou sussurravam em seus ouvidos: o Remorso o acusava; a língua da Solidão o feria com desprezo; a voz rouca do Medo o diminuía e o Pecado dava tapinhas em suas costas ora sorrindo cheio de malícia ora sussurrando coisas obscuras.
Por um instante, as nuvens deixaram a Lua transparecer. Os olhos do parasita, por impulso, correram pelo horizonte fragilmente iluminado. O que era aquilo?! Não muito longe uma figura se distinguia no breu. Apertou os olhos e logo reconheceu aqueles traços: era uma figueira. Sim, uma figueira... Não, não queria pensar nisso! Voltou à melancolia.
O céu foi totalmente encoberto novamente, a angústia apertou mais o seu peito. Figueiras, videiras, oliveiras... Já vira muitas, há muito tempo, quando vivia com seu...
“Paff!” – O silêncio da noite foi quebrado quando o Remorso lhe deu um tapa. “Seu Pai nunca se importou com você”, disse.
Lembrou-se, então, quando criança, das muitas vezes que corria entre as videiras com seu irmão mais velho, depois de subir em cada uma das figueiras da casa de seu Pai. No final da tarde avistava de longe um homem forte, alto e sorridente sobre um alazão branco vindo em sua direção; o Pai descia do cavalo e os Filhos corriam para seus braços.
Seu coração atribulava-se ainda mais, era esmagado lentamente pela Solidão. Podiam-se ouvir alguns sons dos porcos (de fato, alguns acordaram pelo barulho do tapa), seu intimo estava como um mar bravio. A imagem de seu Pai sentado debaixo de uma oliveira se formou diante dos seus olhos. Toda a família estava ao seu redor e havia um menininho no seu colo. Era ele, o caçula. Seus olhos foram embebidos pela tristeza, entretanto endureceu o coração e fechou o açude das lágrimas. Debaixo daquela árvore frondosa, enquanto petiscavam azeitonas, seu Pai ensinava sobre seus antepassados desde Abraão que recebeu a promessa de ter descendentes tão numerosos como as estrelas do céu, até sobre o Messias que reinaria sobre toda Israel no futuro; mas a história que mais gostava era de Jonas. Já imaginou um peixe engolir um homem? Quando escutava esta história não se sentia bem comendo peixe no jantar. Mas agora, quem diria se tivesse pelo menos um peixe podre, pois definhava de fome. A comida dos porcos lhe dava água na boca. Apertava os lábios de vontade de comer aquela lavagem, porém o patrão (dono dos animais) não o deixava comer. “Está vendo?! Você é um tolo”, disse a Solidão enquanto caçoava do Verme. Uma ventania repentina cortou-lhe a face e os braços da escuridão o apertaram mais.
Conforme foi crescendo, já não sentava mais no colo do Pai, falava para si mesmo, cheio de orgulho, que era um moço, sentava-se no chão como todos; ouvir o Pai falar sobre as mesmas histórias também o cansava: Abraão, Jonas e Messias, Messias, Abraão e Jonas, Jonas, Messias e Abraão (sempre as mesmas coisas, que sono); até as azeitonas perderam a graça. Correr pelos olivais nunca mais, agora trabalhava com o irmão mais velho nas plantações do Pai. “Como é que pode? Somos donos da terra da mesma maneira que nosso Pai, mas nós é que temos que fazer tudo?”, reclamava o irmão mais velho, “estou cansado disso”. No final da tarde, os Filhos não viam o Pai, sentiam-se sozinhos. O Pai, porém, sempre falava em responsabilidade, disciplina e amor. O caçula estava cansado de toda aquela monotonia, de todo aquele trabalho, além do mais, sentia o Pai distante. “Foi o que o Remorso já te disse: ‘seu Pai nunca se importou com você’” – consolava o Pecado – “mas você se lembra quando nós entramos na sua vida? Se lembra? Foi uma alegria!”
É...ele se lembrava muito bem desse dia. Estava na seara de seu Pai quando viu algumas pessoas vindo em sua direção pela estrada que vai para Moabe. “Bom dia, nobre senhor, somos embaixadores da Libertinagem. Mostramos o verdadeiro caminho para a felicidade. Este é o Sábio vindo da Babilônia”, dizia apontando para cada pessoa, “aquela é a Dona Meretriz de Sodoma, aquela outra a Riqueza Deste Mundo e eu o Pecado, ao seu dispor”, os olhos do Filho se encantaram. Pareciam tão felizes, cheios de juventude e prontos para ganhar o mundo. Espere. Seu Pai e seu irmão já tinham falado sobre eles...O que o Pai disse sobre isso? Não se lembrou, porém as palavras do irmão estavam cravadas em seu coração: “Se o nosso Pai não fosse tão temível e cruel...”. Decidiu abrir seu coração para o Pecado e seus amigos. No início vinham visitá-lo toda tarde, depois toda a tarde e noite, até que passaram a ser seus “amigos” inseparáveis, até separou um cantinho no seu Coração para cada um deles. “E você se lembra do que seu Pai disse?”, gritou zombando, o Remorso. Claro que se lembrava. O Pai sempre o advertia. Falava que ele deveria se arrepender - descer a Casa do Oleiro - e falava, ainda, que deveria ter o coração de uma criança.
Não suportava mais seu Pai. Então, com o peito cheio de arrogância, com as mãos cerradas e os pés acorrentados, pediu ao Pai a sua parte na herança. O Pai tentou impedi-lo, aconselhou-lhe a não fazer isso. Entretanto, o Filho estava decidido: queria ser livre daquela escravidão imposta pelo Pai e da monotonia daquela casa! Era jovem, queria aproveitar a vida, experimentar tudo que pudesse, como faziam os jovens de Roma e dos povos vizinhos. Então, com o coração contrito, o Pai respeitou a decisão de seu Filho e entregou sua parte na herança. O Filho virou as costas e saiu.
Fugiu da casa do Pai.
Numa terra muito a leste do Jordão, lá estava ele com todos os seus amigos curtindo a Libertinagem. Toda noite uma festa, de manhã ressaca, a tarde dor de cabeça e a noite sumia nas muitas bebidas. Isso que era vida! E o que mais o empolgava era que a cada dia o Sr. Pecado trazia mais um amigo; entre eles vieram o Remorso e o Medo. A herança do Pai era consumida a cada dia para pagar seus dias de orgia, pois na terra a leste do Jordão uma jóia do Reino vale muito; e o Filho tinha muitas: a Esperança, a Justiça, a Liberdade, a Alegria, a Paz e o Amor Ágape e Filéo cujos brilhos eram maiores que o ouro de Ofir. Todas as noites usava uma máscara de felicidade, apenas uma máscara, seu coração sofria; e para esquecer do sofrimento mergulhava na ilusão.
Um dia, inevitavelmente, sua riqueza acabou. Seus “amigos” o deixaram com exceção dos seus parceiros Remorso, Medo e agora a Solidão (que fora apresentada pelo Medo). Não houve mais festas. Começou a dormir na praça e viver de esmolas. Porém, quando uma das frequentes secas agrediu a região, não havia mais esmolas. Roubar? Tentou. Mas levou uma surra. Voltar para aquela Casa onde havia muitas videiras? Nunca. Morrer? Em breve. Seu corpo definhava. “Mas nós te ajudamos. Não é?”, disse o Medo, “conseguimos que você trabalhasse cuidando de uns porcos. E não é tão ruim assim”. Era sim; aceitou o emprego pensando que...Quem sabe...Poderia comer a lavagem jogada aos porcos. Não permitiram. Sofria de fome, mas a sua alma gemia de solidão, remorso e medo. Naquele breu seus olhos estavam cegos, seus ouvidos eram como os de surdos, suas mãos eram como se estivessem mirradas e suas pernas coxas. Se sentia como um verme entre os porcos.
Naquela madrugada suava frio e seu coração se agitava. As muitas lembranças pesavam seu coração. “Por que você está triste?”, começou a falar o Pecado, “você conseguiu tudo o que queria. Só que por ser tão tolo e desprezível terminou entre porcos. Demos-te a Liberdade, carinho de mulheres, amor de amigos, riquezas deste mundo e tudo o que ele tem para oferecer. Você é um inútil mesmo. Quem sabe precise apanhar para aprender a ser grato por tudo que nós te demos.” E todos bateram nele, até que o Verme desacordou.
Um de seus olhos estava inchado, seu nariz sangrava e na boca sentia um gosto estranho. O que era isso? Abriu um dos olhos e... “Ahh”, gritou e engatinhou para longe daquele porco que lambia a sua boca. O Medo, a Solidão e o Remorso riam.
O céu começava a clarear. E lá estava a figueira. O Filho perdido olhou para ela e abaixou a cabeça. Seu coração parecia que ia romper seu peito, seu pulmão clamava por oxigênio, seus músculos tremiam de frio, seu estômago reclamava de fome, sua cabeça latejava e sua alma estava em prantos. Não agüentava mais!
- Eu me arrependo! Voltarei à casa de meu Pai. Lá os trabalhadores têm comida de sobra, e eu estou aqui definhando de fome! –gritou.
Os olhos dos companheiros se arregalaram. O Filho se colocou com dificuldades em pé. Os amigos torturadores também. O Filho fitou os olhos deles e correu para longe dos opressores. Correu o mais rápido que podia, com todas as suas forças. Os outros o perseguiram. “Ele nunca vai te receber!” gritou o Medo; “Ele nem lembra mais de você!” bradou o Remorso; e o Pecado o condenou: “Seu verme inútil, bebeu da nossa fonte e vai embora agora?!”. Mas o Filho estava arrependido, não deu ouvidos. Correu, correu, correu o mais rápido que podia. Suas pernas magras e raquíticas doíam, sim, mas a aflição na sua alma era muito maior. Tantas lágrimas escorriam da sua alma que suas mãos não eram suficientes para desembaçar os olhos. Logo, a lama do Pecado que cobria seus olhos e tapava seus ouvidos foi lavada do seu coração. O Remorso não conseguiu o acompanhar e o Medo desapareceu quando estavam próximos do rio Jordão. Agora que seus atormentadores ficaram para trás, lembrava-se de coisas que havia esquecido. Lembrou-se de quando era muito pequeno e seu pé ficara preso em uma raiz, chorou por muito tempo, e ninguém o ouvia, até que seu Pai o achou, desenroscou seu “pezinho” e o abraçou; outra vez estava no galho de uma figueira, e seu Pai o esperava de braços abertos embaixo, saltou nos braços do Pai; em outro momento de baixo de uma árvore, quando a família se reunia, o Pai tentou pegá-lo no colo, o Filho não quis e sentou-se no chão; e em outras inúmeras vezes, quando ele e o irmão chegavam em casa da seara, seu Pai os esperava e dizia que os havia procurado e não os havia encontrado, os Filhos passavam reto. Chorava, o Pecado o havia iludido com rebeldia, não percebera o amor do Pai todo este tempo.
Então, quando o Sol estava em zênite, chegou a uma colina familiar. Subiu-a. Seus olhos correram por aquela pintura, o próprio Éden pintado pelo YHWH. Ali, no topo da colina, podia apalpar as nuvens e deslizar sua mão sobre o céu azul que parecia tecido com os fios da cortina do templo de Salomão; desceu os olhos e viu as árvores, as flores e... seu Pai! Um susto fez seus olhos fecharem, sua fronte cair sobre o peito e os pulmões encherem de ar.
Quando seu coração foi rasgado como um pano de saco, as lágrimas timidamente molharam a terra. Suas pernas fraquejavam e tanto tremiam que os joelhos começaram a se bater. Passou o antebraço no rosto retirando as lágrimas do olhar, mirou seu Pai: não estava a cavalo, vinha ao seu encontro correndo. O Jordão fluiu da alma e quando seu coração não pode mais contê-lo, jorrou uma fonte de lágrimas. Não por remorso, mas por vergonha de si: os trapos de roupa que cobriam sua nudez estavam sujos, via a si, entretanto, nu e imundo pelo pecado. Novamente desembaçou os olhos com o antebraço e andou cambaleando em sua direção obedecendo, assim, ao fogo cujas chamas eram como de uma fornalha e queimavam todo seu intimo. Era o fogo do amor verdadeiro, o amor Ágape que o consumia e fundia seu âmago. Porém naquele momento, não percebeu isso. As inúmeras sensações conjuntas o confundiam.
O Pai vinha rapidamente com seus braços abertos, chorando e sorrindo. Sentia que não merecia isso, na verdade, Enxergava-se como mais inferior que os porcos de Moabe. Quando estavam perto um do outro, o Filho parou e desfaleceu sobre os joelhos. Não desciam mais lágrimas, apenas vergo... “Ah! Papai! Pequei contra os céus e contra Ti, não sou digno de ser chamado seu filho, trata-me como um dos seus empregados!” – gritou o filho quando o Pai ajoelhou-se e o abraçou. Como era bom estar perto do Pai, ter seu peito junto ao dele. Sentia-se, como uma criança novamente sentando no colo do papai debaixo de uma oliveira; ali, não havia mais medo nem solidão. Estava tão arrependido por ter abandonado seu Pai.
Os cacos de um vaso que estava sobre a mesa do Oleiro foram juntados, um a um, parte por parte. E quando a obra foi concluída, o Oleiro o preencheu com o azeite da sua paz. O Filho, nunca havia sentido algo assim. Sentiu vontade de rir. Rir por rir. Porque o vaso transbordava e escorria alegria. Mas o riso do seu Pai, em seguida, superou em muito o do Filho.
Lentamente se ergueram. A expressão do rosto do seu Pai o marcou para sempre: seus olhos sorriam e continuavam abraçando com carinho, sua boca (quando não beijava sua testa e suas bochechas) falava da sua alegria e desenhava rugas pela face.
Suavemente o Pai retirou seu anel de autoridade e colocou em um dos dedos do Filho. Mandou que matassem o novilho mais gordo de suas terras, porque tão grande era sua alegria pela volta do filho pródigo que festejariam por uma semana. Todos: sua família, seus parentes e seus servos. O Filho recebeu do Pai vestes de alegria, em lugar de pranto; no lugar da humilhação, autoridade. Fora uma figueira seca em meio à escuridão, mas hoje uma videira frutífera. Nas palavras de Jó:
“Porque há esperança para a árvore, que, se for cortada, ainda torne a brotar, e que não cessem os seus renovos. Ainda que envelheça a sua raiz na terra, e morra o seu tronco no pó, contudo ao cheiro das águas brotará, e lançará ramos como uma planta nova”.
(Verley Jr)


Agradeço ao prof. de Literatura Bandini que, gentilmente, leu, corrigiu e incentivou-me a escrever mais

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Poema - Deus além da velocidade da luz


Deus além da velocidade da luz

Nós mortais
Pó terra
Moradores
Do barro
Temos observado
As estrelas

Alguns se perguntam:
Poderíamos vir das estrelas
E para lá um dia voltarmos?
Arrebatamento será abdução?
E Cristo comandante
De Star Wars?

Seríamos ratos de laboratório?
Formigas em redoma de vidro?
Experimentos científicos?
Trabalho de Conclusão de Curso
De um alien químico?
Ou Sims no PC de Spock?

Tu viajas pelo universo
Por buracos de minhoca?
Será que nos
Buracos negros
Moras ou se tele transporta
Na velocidade da luz?


Pai, estou convencido
Que não estás
Em outra dimensão
Escondido na
Grande imensidão
Em outra galáxia
Perdida por aí

Sua grandeza,
Ó Deus,
E nossa pequenez
Diante do teu universo
Faz-nos pensar como :
Quem somos
Perante sua onipotência?!

Mas, Tu, ó grandioso,
Não precisa de naves
Tu és como o vento
Espírito de Deus
Estás muito acima
Do entendimento humano
O Deus
El Shaddai

Tu és o oleiro,
E nós o barro
Tu és o pintor,
E teu universo
A tela, porque de tuas mãos
Tudo é

Extra Terrestre,
Tu não podes ser
E não andas recluso em OVNIs
Porque Tu, Criador,
Estás aqui
Dentro de mim

Como o ar em meus pulmões
Como a brisa que me toca
Como o Sol que me esquenta
Simples como um abraço,
Mas profundo como “eu te amo”
Assim eu te sinto

Estar contigo
É uma jornada nas estrelas
Buscar-te é viajar
na velocidade da luz
E te servir
É ter vida longa e próspera

Verley Jr

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Poema - Confusão para a Confusão: ausência ou presença de Pregos?


Confusão para a Confusão: ausência ou presença de Pregos?

Olhe ali!
Sim, ali
Mesmo!
Lá estava
Uma Garrafa
Que cheirava
Cachaça
Bem no meio

Todos viram,
Mas tentavam não ver
Ou tentavam ver
Mas não serem vistos
Até Paletós viram,
Porém tentaram
Disfarçar,
Inutilmente

O Brinco
Falou
Ao Relógio
O Vestido
Disse misérias
Aos Óculos
E o Azarro
Indignou-se

A Garrafa
Fez o que
Lhe convinha
Andou, falou
E tentou
Bater na
Carteirinha
Policial

Que com boa intenção
Torceu-lhe o braço
E retirou-lhe
Do Clube
Ficaram indignados?
Talvez
Mas agora,
Tudo estava em ordem

No Clube
Só entra
Quem é lavado?
Ou só é aceito
Quem paga as mensalidades?
Como seria se
PREGOS estivessem ali?
Enfim, tudo continuou
Sólido, mas volátil

Verley Jr

Poema - Vidraceiros e vidros opacos



Deus disse:
"Façamos o homem
a nossa imagem
e semelhança"

Mas há aqueles que dizem:
"Façamos Deus
a nossa imagem
e semelhança"

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Poema - A Bela e a Fera


A Bela e a Fera

Ninguém o transformou
O que o orgulho o tornara
A velha apenas mostrou

Cego no seu mundo
Preso no seu castelo
Ilusório e imundo

Grandes muralhas
Cerravam o seu coração
E portões de ferro o isolavam

Como uma flor
Perdendo suas pétalas
O príncipe morreria sem amor

Triste verdade:
O orgulho o cegou
E o transformou em fera

Pobre homem
Amante de livros
Porém sem amigos

Mas, no livro que escrevemos
nada é por acaso
a vida é surpreendente

Alguém olhou
Muito além
Da Fera

No mais profundo
Do seu pequeno
Mundo

Mudar é possível!
Isso aproximou
A fera e a Bela

Consigo pensou
Estou decidido
A matar meus monstros

Então, a casca caiu
A muralha ruiu
O príncipe surgiu

Graças a Deus
Podemos escolher
Como o futuro vai ser

Por isso, a Bela e a Fera
Viveram felizes
Para sempre

sábado, 18 de dezembro de 2010

O gordo de vermelho


O gordo de vermelho

Luzes e barulho
E o feriado
do Rei imaculado
em supérfluos embrulhos

Lá vem voando o gordo velho
impostor
da Graça ofensor
Metido no casaco vermelho

Concorrente
do mal
existencial
do consumo decorrente

Lógica do Noel:
"Seja bonzinho,
e receba um brinquedinho"
Ladrão de farnel

Onde está o Noel?
Cadê o piedoso?
No Shopping pomposo
Vendendo mel

Onde está o Velhinho
quando há solidão?
Onde está o bom coração
quando não há dinheirinho?

Expurguemos o farsante
a casca ilusória,
intruso na verdadeira história
E vejamos Cristo, o Fascinante

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Viva o progresso!

Viva o progresso!

Em São Paulo
há marginais
Tais não são presos
criminosos
Mas
quem anda nelas
se torna presidiário
do tempo

Viva o progresso!

Duas horas
no ônibus
preso
Os veículos
As pessoas
Eu
O mundo inteiro
Duas horas presos

Viva o progresso!

O concreto
cercava
o rio Tietê
onde as fezes
e os dejetos
livres nadavam
E nós
Presos ficávamos

Viva o progresso!

Incrível!
Lá no canto
Sim, lá na calçada
Feita de concreto
Lá debaixo do viaduto
Formigas em fila
levavam comida
Viva a natureza!

Viva o progresso!